quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Como posso querer ir para o céu?

Hoje pela manhã voltei mais uma vez ao "Aterro (lixão) Sanitário" das cidades de Ilhéus e Uruçuca, que fica na região do Itariri. Comparando com as outras visitas posso afirmar que a situação está melhor. Aí vem a angústia de quem se preocupa com o outro e fica a pergunta que não quer calar: dá para se achar que uma situação de vida no meio do lixo pode ser considerada melhor?
Tenho afirmado que dificilmente irei para o céu. A única chance é a Misericórdia de Deus, que é infinita. Não me vejo no céu, sabendo que aqui tenho realizado tudo de bom na minha vida, desde a simplicidade de realizar as refeições básicas como as vezes exagerar com refeições desnecessárias. Olhe que só estou falando do mínimo para subsistir. Não quero nem falar dos excessos...
Tenho casa, cama limpa e quentinha, a chuva só me molha na rua, etc, etc, etc...
E os irmãos que vivem no lixo e do lixo?
As fotos abaixo falarão mais que minhas palavras.
Em tempo: minha alegria em saber que posso ir para o inferno é a certeza de que lá encontrarei muita gente que vive pensando que vai para o céu.

Vista aérea do aterro


As moradias dos badameiros




A teia de "gatos" na energia elétrica
As flores que enfeitam os quintais
A fisionomia daqueles que "verão a Deus"
Alguém disse: "que cheiro insuportável!"
Respondi: 'É o cheiro de Deus'
A entrega do produto aos "atravessadores"


O lixo novo que chega, provocando a "corrida do ouro"
As crianças que vivem sem saber como será o futuro.

As necessidades fisiológicas realizadas na porta de casa


A inocência de quem dorme o sono do justo
Nair, a lider dos catadores

Um comentário:

Igor disse...

Nazal,
Sugiro a você e a todos que verem este post assistir o curta-metragem do diretor Jorge Furtado,que retrata bem avida de pessoa que vivem e sobrevivem do lixo.
O filme pode ser encontradao no You Tube ou no www.portacurtas.com.br
Abraços.
Igor Gama